O pai de Bocage, José Luís Soares de Barbosa, era juiz de fora, ouvidor e advogado. Sua mãe, Mariana Joaquina Xavier l´Hedois Lustoff du Bocage, era filha de um vice almirante português cujo pai era francês e participou da Batalha de Matapán.
Bocage desde muito cedo começa a escrever, porém era tido como mimado, tímido e de temperamento instável. Não se sabe qual o tipo de educação levou, embora sabe-se que dominava os clássicos e as mitologias grega e latina e que sabia francês e latim.
A infância de Bocage foi traumática, primeiro aos seis anos, seu pai é preso por dívidas e acusado de fraude na época que era ouvidor na cidade de Beja, embora digam que tudo foi uma armação por ser o pai de Bocage, um aliado do Marquês de Pombal, em uma complicada intriga política quando muitos aliados do marquês foram presos.
A mãe de Bocage morre quando ele tinha dez anos. Com quatorze, Bocage abandona a escola e ingressa no Sétimo Regimento de Infantaria, em 22 de setembro de 1781; mas como não se acostuma com a vida de soldado, abandona o posto em 15 de setembro de 1783 e entra para a Marinha.
Ingressa na Academia Real da Marinha em Lisboa, mas ao invés de estudar, dedica-se as conquistas amorosas, foram cinco anos bastante agitados e apesar que no final do curso tenha desertado, a rainha Maria I, o admitiu como guarda-marinha.
Bocage começou a fazer sucesso com as modinhas brasileiras - pequenos poemas rimados ao som de violão. Em 14 de abril de 1786, embarca como oficial da marinha para a Índia. Antes de chegar no destino final, o navio para no Rio de Janeiro e depois em Moçambique.
Na cidade de Pangim volta a frequentar os estudos regulares para oficial da Marinha, e apesar de ter sido mandado para Damão, ele embarca para Macau e volta para Lisboa em 1790, apesar da deserção, ele não foi castigado.
Quando retorna a Lisboa, Bocage começa verdadeiramente a sua produção literária, assim como a vida boêmia e amorosa. Entra para a Academia das Belas Letras da Nova Arcádia, onde adota o pseudônimo de Elmano Sadino. Mas ao escrever sátiras contra companheiros da Academia, ele ganha alguns inimigos.
Em 1791, publica o livro Rimas.
Nessa época é nomeado o novo intendente de polícia, Pina Manique, que manda prender o poeta , no dia 7 de agosto de 1797, alegando ser ele um afronte aos bons constumes. Bocage ficou preso até o dia 14 de novembro desse mesmo ano, mas depois acabou sendo preso pela Inquisição e ficou detido no calabouço do Rossio (a atual Praça Dom Pedro IV). Ficou preso pela Inquisição até 17 de fevereiro de 1798, e vai para o Real Hospício das Necessidades dirigido pelo Oratório de São Felipe Neri, e depois de um breve período vai para o Convento dos Beneditinos. Durante esse período em que ficou preso, Bocage passou a se dedicar a redigir documentos e a tradução. Foi finalmente posto em liberdade no dia 31 de dezembro de 1798.
De 1799 a 1801, passou a trabalhar com o frei brasileiro José Mariano da Conceição Veloso, e recebeu muitas encomendas de tradução do próprio intendente Pina Manique.
De 1801 até a sua morte por aneurisma em 21 de dezembro de 1805, Bocage vive em uma casa alugada no bairro Alto de Lisboa.
O autor aos seus versos
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:
Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.
Bocage

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