domingo, 29 de abril de 2012

HIPÓLITO DA COSTA E O CORREIO BRAZILIENSE


O primeiro jornal que circulou no Brasil foi o Correio Braziliense ou Armazém Literário, criado por Hipólito da Costa e era impresso em Londres. O jornal era mensal e Hipólito escrevia e editava, tudo sozinho. Esse jornal circulou no Brasil entre 1808 e 1822, mas o seu acesso era restrito, além de caro era clandestino. O jornal abordava tudo, política, comércio, literatura, ciências, correspondências e a parte chamada de "miscelânea" que era onde Hipólito escrevia suas opiniões e defendia a libertação do Brasil do domínio português, defendia também o fim do tráfico de escravos e o fim dos monopólios comerciais e até mesmo uma participação mais popular na política. Muito das ideias transgressoras de Hipólito deu-se em 1798, durante uma missão dada pelo governo português para que fosse aos Estados Unidos, lá ele se encantou pelo então novo país republicano. Quando voltou a Portugal, em 1800, acabou preso pela Inquisição portuguesa sob acusação de ser maçom, acabou fugindo em 1805 e foi para Londres. Em Londres entrou em contanto com os maçons locais o que lhe permitiu montar uma rede de correspondentes, conseguindo assim por exemplo, acompanhar e divulgar a independência das colônias espanholas.
 O Correio Braziliense influenciou intensamente os primórdios do jornalismo no Brasil, principalmente nos anos de liberdade de imprensa que antecederam à Independência. Hipólito acompanhou de perto a atuação dos deputados brasileiros nas cortes de Lisboa em 1821, apoiando a separação total do Brasil da sua antiga Metrópole. Nesse período efeversente surgiram vários jornais que já circulavam aqui, tendo maior destaque A Malagueta e o Revérbero Constitucional Fluminense.
 Hipólito suspendeu as atividades do jornal em 1822, mas já com o dever cumprido ao implantar um espaço de opinião pública e lutando até o seu falecimento em 1823, pelo reconhecimento do Brasil pelas nações europeias, como agora, uma nação independente.

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